sábado, 16 de fevereiro de 2019

Um lugar de muitos lugares

No youtube, outra mídia social bastante utilizada pelos moradores de Santo Amaro, pudemos reencontrar alguns dos blogueiros mencionados acima. Deles recuperaremos somente Ediney Santana. 
Os vídeos de Ediney Santana constituem a amostra dessa seção por ilustrarem uma relação específica (que caracterizaremos mais adiante) com o lugar Santo Amaro. Nesses vídeos, o autor deixara claro seu vínculo afetivo com a cidade. Citaremos três. No primeiro, “Santo Amaro: em busca da Purificação”197, Ediney Santana recitou uma poesia de sua autoria enquanto andava pela praça da Purificação, descrevendo um caminho (metáfora da busca do título?) que se finalizava no encontro com a igreja da Purificação. No segundo vídeo – “Rio de águas mortas”198 –, o autor desenvolveu uma reflexão e um depoimento sobre o rio Subaé e sua poluição. Seu mote surgiu, segundo Santana (no próprio vídeo), de um passeio banal com sua filha, as margens do rio. Santana construíra, a partir de sua experiência cotidiana no lugar (e, obviamente, de seu conhecimento formal e de suas intenções enquanto cidadão), uma fala ambientalista de objetivo moralizante. Usando as frases de sua filha e de outra criança, mais cenas do rio poluído e sujo, ele pôs no vídeo a população moradora da cidade como participante do seu processo de deterioração.
197 Publicado em 2012. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ZaeyAOUXIaI>. Acesso em: agosto de 2015. 
198 Publicado em 2012. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=FchgPEw7zi0>. Acesso em: agosto de 2015. 
199 Publicado em 2013. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=EMK8jtTtI9w>. Acesso em: agosto de 2015. 
200 Música composta por Flávio Venturini (no álbum “Luz viva”, de 2007). O artista é presença assídua entre as apresentações de palco nas festas de Santo Amaro. 
No último vídeo, “Memória afetiva de Santo Amaro da Purificação”199, da amostra que elegemos, Santana compôs uma apresentação de slides com fotos antigas da cidade e dos seus moradores. Na trilha sonora, o autor inseriu, introduriamente no vídeo, a música “Céu de Santo Amaro”200 interpretada por Maria Betânia. Esse vídeo, especialmente, teve milhares de visualizações (quase 4.000), mas nenhum comentário (como os outros dois exemplos). Quais os objetivos de quem assiste esse vídeo? Foram moradores de Santo Amaro aqueles que o assistiram? Assistiram com o fim de alimentar algum tipo de identificação com a cidade? Sem responder às perguntas diretamente, mas Pensando sobre como são construídos os estereótipos, pensamos que Ediney Santana, inevitavelmente, fez sua contribuição para a virtualização do lugar Santo Amaro.
Enfim, de um modo geral, Santana produzira uma fala bucólica (e, em outro grau de intensidade, nostálgica) do lugar Santo Amaro, servindo-se da própria paisagem (pretérita e/ou atual) da cidade para tanto. Mais um caso em que surpreendemos uma produção da cidade enquanto lugar fenomenológico, construído relacionalmente através da experiência dos indivíduos que o vivem. Apesar desse recorte teórico não ser um eixo analítico nesse trabalho, é impossível não nos referirmos a ele quando perspectivas mais individuais do lugar se colocam, ainda mais quando essas perspectivas são publicizadas através da internet, tornando-se parte de um processo de construção discursiva e virtual do lugar em questão. Sem dúvida, essa construção não ficará encapsulada no mundo virtual. Os indivíduos que as assistem, e as modificam (não esqueçamos das funções pós-massivas das mídias sociais) passiva ou ativamente, trazem-nas consigo ressignificadas. O lugar virtualizado, enquanto discurso, apropriado e ressignificado pelo outro, se liga novamente ao mundo sensível e dialoga com ele como mediação através das relações, contribuindo para a estruturação de um lugar sensível, que não é seu espelho, mas um desenvolvimento. O lugar fenomenológico, subjetivista, torna-se parte de outro lugar, rizomático, pós-estruturalista. Para se sustentar e tornar-se vivo e cotidiano, ele se territorializa através de inumeráveis relações. O lugar torna-se infinito e repercute em outras categorias analíticas, em outros planos da existência. 
As estruturas físicas que constituem a redes sociotécnicas que servem à comunicação e ao transporte da informação participam da constituição de um lugar virtualizado e abstrato, um discurso ideológico sempre em construção que se capilariza e reverbera em outros lugares. Outras pessoas, outros sujeitos, portanto, serão afetados pelo lugar Santo Amaro virtualizado e vice-versa. Ao mesmo tempo, os próprios sujeitos do lugar virtualizado também serão afetados. As consequências desse processo de afetação mútua e indiscriminada deverão ser muitas, mas entre elas, falaremos sobre configurações e reconfigurações do espaço físico e social. Ocorrerão deslocamentos de pessoas e objetos e, ao mesmo tempo, surgirão novas geometrias de poder. É sobre essas geometrias de poder, configuradas a partir de cada dimensão do fazer espacializado no cotidiano de Santo Amaro, que discutiremos ao longo das seções seguintes . 
AUTOR : SHANTI NITYA MARENGO
SANTO AMARO-BA:
Extraído de : UM LUGAR DE MUITOS LUGARES
( TESE DE DOUTORADO)
Salvador
2016/UFBA
FONTE:
https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/20640/1/TESE.pdf


sábado, 2 de junho de 2018

Livros

Ediney Santana- The lonely Shadow

Ediney Santana- Palavra ( mal) dita

Ediney Santana- Anfetaminas e arco -íris 

Ediney Santana- Os deuses não são socialistas

Ediney Santana - Dias delicados 

sábado, 26 de agosto de 2017

A poética de Ediney Santana

Ediney Santana e os amigos prof. Carlos e Zorildo

Para os famosos, quem escreve é Caetano ou Betânia, para os quase famosos, Jorge Portugal e Roberto Mendes, para os novos "Ediney Santana”. Conheci a poética de Ediney por intermédio de Herculano Neto, com o livro Sob Prescrição,fiquei encantada com a nova poesia da minha terra,resolvi trabalhar com os alunos do ensino médio o livro,os alunos amaram a palavra de Ediney Santana,poderia até dizer que os alunos devoraram o que ele escreveu no livro,lembro que todos fizeram cópias dos textos dele.Ediney é assim,uma capacidade imensa de envolver as pessoas,ninguém consegue passar por ele e ficar imune a sua extrema inteligência ou as polêmicas que ele vez ou outra está envolvido.Antes de ser amiga dele,conhecia o que ele escrevia,suas musicas para a Flor Marginal,seus livros(falta ler uns dois)e principalmente sua fama de ser um excelente professor,minhas antigas alunas do normal,quando me viam na rua sempre diziam:-Tem um professor que é sua versão masculina dando aula a gente!Causou-me estranhamento saber que minha versão masculina para as alunas,era um habitue do chafariz da praça,que a cidade rotulava como roqueiro e todos os estereótipos que carregam a galera do rock,eu apenas via nele um belo cabelo para uma pessoa tão cafona.Hoje posso afirmar que Ediney Santana é uma pessoa que meus alunos enlaçaram no meu destino,de tanto ser lido per eles resolvi convidá-lo para participar de uma mesa redonda no Teodoro Sampaio,nesse tempo ele era uma das pessoas mais poderosas na educação da minha cidade,só ele compareceu dentre tantos convidados,foi a única mesa redonda que envolveu os alunos na semana da cultura.Nascido em Mundo Novo ,na Chapada Diamantina ele gosta de se intitular “homem do sertão”, político partidário,tem paixão pela sua família,pela sua infância,seus textos são o retrato da sua alma,sou seguidora dos seus blogs:cartas mentirosas e a vida reinventada que ele dá show nos textos de realismo fantástico,escreve para o jornal local O trombone ,não li (ainda)o Evangelho do mal,mas tudo nele revela a preocupação com o ser humano,até hoje é um adolescente rebelde leia "Os Deuses não são socialistas”,excelente compositor,na Flor Marginal cantava como Renato Russo,mas escrevia bem melhor do que ele, os textos mais antigos por mais que ele tente passar a ideia de monocromia,revela uma explosão de cores( Anfetaminas e arco íris)é meio tiete de alguns famosos,principalmente os que já morreram.Vive flertando com a tristeza,entretanto não conheço ninguém com tantos projetos e sonhos,todos devidamente pensados para agradar aos fracos e oprimidos. Ediney Santana é uma pessoa que ainda não consigo denominar em que tempo está,talvez um iluminista,como Santo Agostinho ou uma pessoa ideal para o futuro,um ser sustentável!Se ele não fosse essa força em criatividade e talento, apenas por ser um coração solidário e valente que é,já me sentiria orgulhosa em ter a presença dele nessa minha breve vida,neste mundo tão infestado de pessoas individualistas e peçonhentas!
De: Amapagu Cazumba
Fonte: http://amapagupatsycazumba.blogspot.com.br/2009/07/meu-amigo-e-poeta-ediney-santana.html

terça-feira, 19 de abril de 2016

A Menina e o Poeta

Este livro foi escrito em homenagem a todas as crianças do povoado da Barra de Mundo Novo-BA. Que todas as crianças de Mundo Novo, de todos outros povoados e distritos da cidade sintam-se homenageadas por esta história que se passa na Barra.
Pelas ladeiras, ruas e casinhas simples um grupo de crianças incentivadas por uma professora muito especial resolvem transformar o pequeno povoado no lugar do país em que mais se ler poesia. Vão viver uma incrível aventura pela literatura e encontrar um inimigo muito poderoso, mas não vão desistir de fazerem do lugar em que vivem, um lugar único, um pequeno Mundo Novo.  
Nasci em Mundo Novo, vivi meu primeiro ano de idade na Barra, crescei longe, me tornei escritor, este livrinho é a maneira encontrada de desejar que todas as crianças sejam felizes, através da educação possam viver em um mundo possível de amor, oportunidades e realizações pessoais e coletivas.
Ediney Santana
Brasília, 04/04/2016 







terça-feira, 15 de março de 2016

Entrevista para o Cultura Alternativa

Fale um pouco da sua vida, onde nasceu, etc. Lembre-se que o leitor na internet gosta de concisão. Ser conciso é fundamental.

R- Nasci em Mundo Novo, fica na Chapada Dimantina-BA. Mundo Novo é uma pequena cidade erguida em um vale incrivelmente verde, falo incrivelmente verde, porque no semiárido nordestino predomina paisagens secas, caatinga, mas passei a vida toda nas margens da Baía de Todos os Santos, em Santo Amaro, mítica cidade baiana. Mudei aos 40 anos para Brasília, nunca tinha ido tão longe de casa, mesmo vivendo perto de Salvador sou um coração do interior. Brasília é uma cidade que predominantemente corações se afirmam pelo ter, a vida toda me afirmei pelo ser, mas ter e ser quando em conflito o ser vai sempre levar a pior. Sou formado em Letras Vernáculas, especialista em produção textual, no entanto o magistério hoje é pesar e cansaço.


Agora um breve currículo literário?

R-Meu primeiro livro foi publicado em 2002 pela Universidade Estadual de Feira de Santana, desde então publiquei dez  livros , sendo que um romance , a biografia de minha mãe, um livro sobre política e uma fábula infantil. Os outros foram de poesias.



Você acha que o Brasil respeita o escritor?


R- Não sei em outros países, não conheço outros lugares, só a Bahia e Brasília, mas o que posso dizer é que no Brasil se reconhece a fama e não necessariamente o que se é. Compra-se produtos abençoados pelo capitalismo, até mesmo bravos lutadores contra o capitalismo só valorizam o que tiver gerando lucro, o que for vitrine, sendo assim, não tenho valor algum para uma sociedade capitalista, não é o conteúdo do que escrevo que entra na questão, o que importa é se tenho algum sucesso, se as luzes estão sobre mim, em caso de sucesso vão querer tirar uma foto ao meu lado, vão pedir autógrafo, mesmo que nem leiam nada, mesmo que publique livros de páginas em branco. Simples assim...Sucesso independe de talento, por muitos motivos alguém é escolhido e de repende vira referência de uma geração, claro,  os que são apenas fama com o tempo desaparecem, mas muita gente que tinha algo de relevante também desapareceu por aí na poeira do tempo.


Dê ideias de como a sua literatura e a nacional poderiam ser mais valorizadas?

R- O ministério da educação e cultura não precisaria gastar muito para se realizar uma grande revolução nas letras. Penso que no ENEM e vestibular, por exemplo, deveria-se usar fartamente textos de escritores vivos, contemporâneos , autores de todos os estados, de todas vertentes. Poderia cria-se uma comissão (com pessoas de todos os estados, essas pessoas só participariam de um processo, a cada novo processo de escolha novas pessoas participariam da comissão) para selecionar novos autores, muitos em cada edição dessas provas. Isso também valeria para concursos públicos, todas as provas de concursos do governo federal deveriam trazer esses autores. Seria tudo em rodízio para não se criar as infames panelinhas. Nos livros didáticos também a mesma coisa, ao lado de escritores consagrados novos autores, a cada ano seriam renovados os nomes e de tempos em tempos se repetiram os nomes que conseguiram de alguma maneira se firmarem na cena literária, mas não tenho ilusões, ainda não atingimos um grau de civilidade desejado no qual um autor que , por exemplo, fosse voz antagonista ao governo tivesse sem problemas sua obra escolhida em um processo desses...Seria um começo, deve-se começar de alguma maneira.Professores e professoras também podem começar o processo de divulgação de novos autores, o governo pode reduzir por uns dez anos os impostos do livro impresso, cobrar menos impostos de pequenas editoras.




Quais os livros que já publicou e se existem livros no forno, prontos para sair?
R- Foram os seguintes: Até que a eternidade nos uma , O evangelho do mal , Os deuses não são socialista, Uma canção para Renata Maria,  Dias delicados, Rua 5, Anfetaminas e arco-íris, Urbem Angeli, Serenidade das Orquídeas, Biografia de Zelina Santana e mais duas obras em parceria com dois escritores da Bahia, Jorge Boris e Herculano Neto, respectivamente , Sob Prescrição e Mais uma dose. Não sei se vou editar mais livros, aos quase 42 anos de idade meu ânimo já não é o mesmo, o pão precede  poesia.



Você na Internet?
Página do Facebook – https://www.facebook.com/ediney.santana
Instagram – não tenho
Twitter – não tenho
You Tube – https://www.youtube.com/channel/UCvEe8m2t-bAgOXIcSrFDO2Q
Site – http://poesiaeguerra.blogspot.com.br/
Whats App – não tenho

Alguma coisa ficou pendente que gostaria de falar?

R-fico grato pela lembrança, que seja-nos leve o caminhar por este nosso Brasil...Paz luz e chá de cidreira .


Adquira os Trabalhos do autor entrando em contato com ele nos endereços da internet.

Anand Rao

Editor do Cultura Alternativa