domingo, 22 de junho de 2014

George Prazeres entrevista Ediney Santana


GP- Como podemos entender a importância da literatura na sociedade contemporânea?


E- A literatura sempre teve importância em todas as gerações, não por acaso em sociedades governadas por déspotas ou ditadores, escritores sempre foram os alvos principais desses regimes. Literatura não é só entretenimento, como acontece em outras artes, literatura é base para nossa formação, nos tornar presentes no nosso próprio tempo histórico e nos traz uma dimensão mais clara da própria história.


GP-Até que ponto na sua visão a filosofia e literatura podem ajudar na formação de uma sociedade mais humana?

E- Tornar-se humano, essa invenção filosófica, ou ilusão sociológica adoçada pelo sentimento tão ilusório das religiões que a própria filosofia e religião podem ser caminhos exclusivos para o bem me deixa cético em respeito a nossa presença na natureza como agentes pretensamente civilizatórios. A literatura enquanto arte pode servir de afirmação parasitária para algum poder como pode também ser contestadora desse mesmo poder. No entanto meu ceticismo não me deixa caduco velando a tristeza do mundo, creio que essa mesma filosofia pode aqui em nosso país nos revelar neste presente momento aquele “ergue-se gigante” que tanto esperamos, a literatura nos torna mais capazes, nos revela de maneira lúdica o que às vezes somos e não enxergamos ou  que tememos descobrir que somos, por trás disso tudo vivo a esperar esse encontro entre o ser animal e essa inventada humanidade que acreditamos ser o nosso melhor.


GP- Artur Rimbaud dizia: “A Moral é a debilidade do cérebro” o anti-otimismo da filosofia realista e literatura realista pode ser compreendida pelo argumento de Rimbaud?

E- Não temos uma moral própria, toda moral é herdada, vem com os costumes, quando nascemos geralmente nossos pais escolhem (por exemplo) nossa religião, ao longo dos anos nossos gostos que achamos ser escolhas nossas muitas vezes foram construídos socialmente, a ideia de que cada um tem seu gosto e isso  não se discute é equivocada, na universidade somos obrigados a seguir linhas de pensamentos estabelecidas por convenções não assinadas por nós, neste sentido Rimbaund diz a verdade, ele contesta a moral que somos obrigados a seguir.
Diante da questão moral e da necessidade de renovar nossa visão sobre o mundo muitas vezes estamos na encruzilhada entre a imoralidade e a amoral que são duas coisas diferentes. Quanto ao anti-otimismo da filosofia e da literatura realista penso que olhar o mundo de maneira mais sóbria e menos carnavalesca ou romantizada nos permite entender melhor as teias intricadas das relações humanas, esse pensamento, em minha opinião, realista não nos leva para uma visão deprimida do mundo e sim para uma visão que nos releva nossas franquezas éticas e de caráter, a imoralidade cotidiana apresentada de uma maneira que quase não conseguimos contestá-la, muitas das vezes encontramos personagens terríveis em algum romance e nos identificamos com ele e por que isso acontece? Porque de alguma maneira nele encontramos traços da nossa própria personalidade.
Minhas crenças não são suficientes para que eu interprete o mundo, eu sou eu o que acredito, mas também sou outra realidade para além de mim, que por mais que eu negue, essa realidade existe.


GP-Prof. Ediney Santana em sua palestra na Jornada pedagógica 2014, na cidade de Saubara, você falou sobre a “Pedagogia da Ignorância”, explique como ela pode ser compreendida e combatida levando em consideração o sistema educacional publico e privado no Brasil.

E- A Pedagogia da ignorância nos leva crer que se pode tirar algum proveito da debilidade intelectual, o conhecimento é tratado de maneira secundária, às relações de amizades e poder passam a valer mais que o estudo e nossa capacidade de conseguir algo pela força do conhecimento intelectual, mas vale apertar a mão de um poderoso, servir-se das suas migalhas que entrar em uma biblioteca. A escola neste sentido, a escola pública, é o alvo principal dessa Pedagogia da Ignorância, toda estrutura cognitiva de ensino e aprendizado é abalada, pessoas são ensinadas a pensar errado por pessoas que aprenderam errado e ensinam errado, é triste constar, por exemplo, que um número gritante de estudantes das universidades ao fim do curso não conseguem escrever um TCC e contratam alguém para escrever, não sentem nenhum tipo de remorso por isso e ainda fazem festa de formatura, festejam sem saber, creio, a diplomação da ignorância de cada um.
Fui aluno de escola pública, tenho deficiências graves, mas estou sempre estudando tentando melhorar, não dou trégua para minha ignorância. O pior, no entanto, da Pedagogia da Ignorância é o estabelecimento no poder de uma espécie de políticos que não importa a que partidos pertençam sempre vão vigorar no poder, trocam nomes e siglas, mas a Pedagogia da Ignorância vai sempre reservar o poder para eles. Tudo isso explica porque o Brasil tem um dos piores sistema de ensino do mundo, tudo isso não isenta a educação privada que geralmente educa para a indiferença social, pragmática e fria.


GP- Qual seu ponto de vista sobre literatura de Autoajuda e espírita?

E- É literatura que serve para determinado público e que de alguma maneira faz bem para esse público, o problema é quando se alimenta sempre de uma mesma fonte, sem deixar espaço para outras visões de mundo.


GP- Como você vê a literatura religiosa e sua importância?

E- Eu gosto de muitos textos bíblicos, hindus, já li muito aqueles livrinhos dos Hare Krishna, li muito o Bhagavad Gita, livros espíritas. Creio que sou um sujeito místico, todos esses livros tem importância, todos tem algo de bom a nos dizer, para mim Deus não é autor de livro algum, não é sectário de religião alguma, cada um pode exercer sua religiosidade da maneira que se sentir em paz, mas isso não diminui a importância desses livros que muita gente tem como sagrados, saber limitar nossas crenças aos nossos corações nos impede de nos tornar intolerantes, profanar com o ódio uma das bases de todas as religiões: o amor!



GP- No Brasil o processo de estabilidade profissional é muito difícil, pequenos autores também enfrentam dificuldades em publicar e promover seus livros. Como você enfrenta essas dificuldades?

E- Há algo muito perverso no Brasil, o sobrenome ainda é mais importante, em muitos casos, do que a real importância de uma pessoa para aquilo que se propõe a realizar, ainda há o pavoroso culto à personalidade, eu já publiquei oito livros, mas como nunca apareci na TV ou algum famoso disse que gosta da minha literatura para a maioria das pessoas sou insignificante como escritor, porque se confunde a fama, o estrelato com a razão de ser da pessoa ou a importância do seu trabalho, isso é outro fruto da Pedagogia da Ignorância, isso é atrapalha, mas não desmotiva.
Promovo meus livros de maneira tranquila pela internet e em palestras que faço, sem pressa, sou um escritor não uma celebridade da novela das oito, mas no fim todo mundo encontra seu público.


GP-Como você vê o evento da Bienal do livro no Brasil e o grande auge das publicações de livros digitais?

E- Bienais são “festas” para editoras, lá elas promovem seus livros, convidam escritores apenas como manequins de luxo para esquentar as vendas. Livro digital é mais uma mídia importante, nos ajuda a circular pelo mundo digital, vai conviver pacificamente com o livro de papel, a literatura vai além do formato que é apresentada, o que vale no fim é a capacidade do autor de tocar seu público seja em papel, áudio ou digitalmente. Um dos grandes desejos que tenho é que meu romance Urbem Angeli seja adaptado para desenho animado e filme.


GP- Com qual ideia você pretende mudar o mundo?

E- (risos) Quero mudar não, nem seria uma mudança boa, o mundo muda com a soma dos desejos de todo mundo, quando todo mundo pode realmente desejar, porque infelizmente estão desejando por nós, na maioria das vezes acreditamos que o que estamos desejando é realmente algo que vem de nós, seria bom ter a segurança de que tudo que sentimos, nos apaixonamos e desejamos representa mesmo nossa vontade para e com o mundo.


GP- Qual a sua razão de viver?

E- A busca sempre e constante da felicidade. Já vive em muitas estruturas de trabalho, já andei entre pessoas bem pequeninas e pobres e entre gigantes e poderosos, já bebi cervejas quente com os pobres como eu e fiz noitadas com gente tão gelada e seca quando uma garrafa de uísque, já disse adeus a muitos amigos, amei e fui amado, odiei e fui odiado, mas assim como um dia cantou Édith Piaf: “não me arrependo de nada”. Hoje passo os dias calmos, gosto de encontros calmos, ir a galerias de arte, cinema, teatro, ficar com minha família  e nisso tudo minha razão de viver é ser feliz e não fazer mal a ninguém.

Ediney Santana foi entrevistado por George Prazeres, professor de filosofia, articulista político e militante religioso. Professor George Prazeres atua nas cidades de Salvador e Saubara-Bahia.
Salvador 20 de junho de 2014.



sábado, 21 de junho de 2014

Entrevista para estudantes portugueses

Foto: Renata Madureira 
Entrevista concedida via e-mail para estudantes de Letras- Portugal:

L- Você já escreveu oito livros, mas é pouco conhecido no Brasil, a que se deve essa sua ausência do grande público?

E- Eu vivo e escrevo no interior do nordeste brasileiro, longe dos grandes centros, não tenho redes de contatos, redes de contatos com jornalistas e pessoas da mídia, ao menos aqui isso é muito importante e pode decidir o futuro de alguém, seja nas artes ou até na política, por outro lado escrevo em contradição com que se faz hoje no país, há uma busca, na literatura contemporânea, em desvendar os “mistérios” das coisas, minha literatura é mais áspera e objetiva, ainda há o fator político, minha ruptura com o partido comunista e posição de crítica ao governo certamente dificulta a divulgação da minha literatura.

L- Ao falar da sua ruptura com o partido comunista e que isso pode impedir a divulgação da sua literatura, você acha que há censura no Brasil?

E- Oficialmente não, mas há a censura ideológica e do medo, você posta algo na internet as pessoas olham, mas não compartilham, não comentam, poucas pessoas no Brasil tem independência intelectual, o governo e sua militância não aceitam críticas, sem falar na cooptação de artistas, o governo é um grande produtor artístico.

L- Em seu ultimo livro e primeiro romance você cria uma negativa sociedade, podemos dizer que é uma visão pessimista das relações humanas e política? Você acredita que perdemos a capacidade realizarmos coisas boas através da política?


E- Urbem Angeli é um romance seco, é como sinto essa atual sociedade, promíscua e permissiva com os crimes políticos, o Brasil não vive um bom momento, estamos sitiados em guetos, ora religiosos, ora de “gêneros” e até étnicos que fingidamente dizem lutar por direitos civis, mas por trás de cada suposta boa intenção salvadora há a velha busca pelo poder político e pela afirmação desse poder, enquanto no dia dia o povo vive em completo abandono, não nego que há pessoas sinceras e que desejam um país melhor, mas esses são a minoria, ilhadas também em seus guetos de impotência, o Brasil de hoje é egoísta e hipócrita, direita e esquerda se confundem no mar de lama que inventaram para eles mesmos. Perder a fé, mesmo assim, completamente na política seria o pior dos caminhos, ainda tenho algo de crenças, é preciso mantenho a esperança, como aquela que em Urbem Angeli posou em Joana.

L- Você é autor de livros de poemas, o que a poesia tem a nos dizer nos dias de hoje?

E- Há uma questão que sempre digo: os cursos de letras e escolas fizeram um desserviço à poesia, muita gente acredita que poesia é para cantar o “belo” e tão somente esse “belo”, eternizaram a ideia do poeta mártir e o pior, que “poeta bom e poeta morto”, necrofagia literária.
A poesia é a arte por excelência de todas as contradições da vida, há poesia no que julgamos bonito tanto quando no que dissemos ser feio, a poesia tem a nos dizer que estamos sentados sobre o lixo do mundo, mas que sobre nossas cabeças o céu continua azul, há caminhos entre palavras e sentimentos. 
Editoras grandes e com poder de divulgação não editam poetas contemporâneos, por isso penso que o governo deveria colocar no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) autores não só poetas, no programa de provas, isso em pouco tempo renovaria a literatura nacional e daria animo para os autores publicarem seus livros e editoras editaram também esses novos autores.

L- O Brasil tem fama de país que se lê pouco, é verdade?

E- Em algum lugar no passado isso era verdade, mas agora isso perde força, claro, ainda não estamos em um bom nível de leitura, mas estamos avançando, já somos um dos países no mundo que mais edita livros, se editamos lemos também. Grandes editoras multinacionais estão aqui, editoras como o Clube de Autores, que edito meus livros, tem um número enorme de autores, logo logo seremos um dos países que mais se ler no mundo.

L- Otimista (risos)

E- Não se esqueça, este é um país de contradições gigantescas, continentais, você pode mudar de lado em uma rua e sair do terceiro mundo para o primeiro, ir da Urbem Angeli a Paulo Coelho, nossa essência não é a linha reta, como escreveu Fernando Pessoa, nós andamos sempre na linha torta, Deus aqui mais que em qualquer outro lugar escreve certo por linhas tortas.

L- Você também escreveu canções, teve bandas, como foi isso?

E- Eu nunca fui músico ou cantor, no começo dos anos de 1990 tinha vontade de dizer coisas, mas nem sonhava em lançar um livro, era algo distante, então meu pai me deu um violão (tenho até hoje) e comecei a fazer umas músicas, mas tudo em função da palavra e não da música em si, um dia juntamente com Preto Paulo (Marcos Paulo) criamos a Som Marginal, depois Flor Marginal, ao encontrar o Marquinhos, tudo se encaminhou, ele tinha a voz o talento para música e eu para escrever, encontrei outros parceiros, outras pessoas que cantaram minhas músicas, mas tudo que fiz foi por conta da literatura.

L- Como você sente as relações humanas? E como esse sentir reflete na sua literatura?

E- Já fui muito aberto, creio que mais simpático em relação a outras pessoas, mas tenho (infelizmente) me fechado, tenho sentido tanta falta de ternura e gentileza, o diálogo perdendo para o grito, relações que nascem e morrem sem ter nada de bom para ser lembrado, pessoas que julgam as outras tão somente porque elas são do nordeste ou do sul, por uma foto. Tudo isso tem me retraído, pouco a pouco fui perdendo alegria da convivência, gente me faz sentir medo, medo me machucarem, de perder a fé na beleza que é conviver em grupo, às vezes penso que o elevador de serviços é o melhor lugar do mundo, não se corre riscos.
A banalidade como a vida é tratada é muito assustador, mas com o tempo se aprende a gostar do gênero humano mais de que de pessoas, selecionar melhor quem desejamos perto do nosso coração, amar e perdoar, porque sentir tudo isso não nos transforma em santos, somos todos pecadores e bem pecadores, talvez e certamente alguém me olhe e sinta tudo isso que acabei de dizer em relação também a mim.
Minha literatura não é autobiográfica, no entanto a maneira que vejo o mundo também se reflete nela, às vezes quando escrevo poemas suaves e esperançosos sou eu dizendo para mim mesmo que devo seguir em frente, ter esperança em mim mesmo, olhar a vida e sorrir para o melhor que sou e tentar nunca machucar pessoa alguma, sou a minha parte, meu sereno e alegria.

L- Agradecemos por sua gentileza em nos atender, foi bastante proveitoso para nosso trabalho sobre literatura brasileira, muito obrigado mesmo!!!

E- Eu que agradeço, muito obrigado pela leitura dos meus livros, bom saber que tão longe sou lindo, paz e alegria sincera sempre!

Ediney Santana escreve regularmente nos seguintes blogs:
Seus livros podem ser adquiridos pelo site:






quarta-feira, 23 de abril de 2014

Entrevista

Entrevista concedida a estudante de jornalismo Lorena Soares no dia 11 de março de 2013 para o jornal Revesso/ Universidade Federal do Recôncavo da Bahia/ UFRB*
Lorena) - Ediney quando você comeu a escrever?
(Ediney) - Exatamente não lembro quando me despertou o gosto pela literatura e escrita, mas certamente as aulas de Comunicação e Expressão entre a 5ª e 8ª séries do primeiro grau (chamavam assim as aulas de Língua Portuguesa) da professora Norma no colégio Senador Pedro Lago foram decisivas pelo meu encantamento a palavra e escrita. A professora Norma foi à pessoa mais importante na minha formação intelectual.

(Lorena)- Como é sua relação com a Língua Portuguesa, gramática e literatura?
(Ediney)- Minha relação é mais com a literatura que com a gramática, o meu encanto é com a semântica da palavra.
(Lorena)- Quais são os poetas portugueses, brasileiros que você mais se identifica?
(Ediney)- São fases literárias, houve um período que foi muito Augusto dos Anjos, um dos maiores poetas do mundo, um cara que só publicou um livro e está aí até hoje. Outra fase foi Castro Alves pela militância social, outros momentos Manuel Bandeira pela doçura e leveza em falar das nossas misérias cotidianas, pessoais e ultimamente muitos poetas contemporâneos, autores de blogs.
(Lorena)- Como você entende poesia e poema? Ha diferenças?
(Ediney) - Poema seria a forma, poesia o significado ou signo verbal, a semântica e imagens da palavra. Mas podemos encontrar poesias em textos em prosa e não encontrar poesia alguma em um livro de poemas, às vezes você ler um poema e é só um amontoado de palavras sem signo poético algum. A poesia em si transcende a forma física do papel, vai muito além...
(Lorena)- No dia 14 de março é o dia da poesia em homenagem a Castro Alves, o que você acha dessa homenagem?
(Ediney)- Mais que justa, Castro Alves foi poeta da intensidade verbal, militou com paixão e verdade na poesia, em um período conturbado da nossa história, seus versos oscilavam entre o lirismo e a militância social, uma voz poética muito forte, verdadeira. Por ele ter nascido no dia 14 de março se fez essa homenagem fazendo desta data o dia nacional da poesia, sua poesia é ainda muito simbólica, seus versos sociais fazem eco nestes nossos dias, já que a escravidão mudou de forma, hoje se escraviza de outras maneiras, a principal dela é negar a história, nosso tempo é o tempo em que se fortalece a ideia da não memória, da não história, cultiva-se apenas o moribundo presente que não dura 24h horas, ha a repetição do que em verdade não existe porque é feito para o compartilhamento vazio de emoções vazias.
Eu particularmente gosto mais da lira de Castro Alves, a poesia do “Espumas Flutuantes”, uma poesia sensível, mas sua poesia  social encontra em mim um profundo admirador, ele foi um cara extremamente corajoso, jogou na cara das elites escravocratas do seu tempo as mazelas e servidão de uma época  triste e desesperadora.
(Lorena)- Qual a poesia que você mais gosta do Castro Alves?
(Ediney)- Gosto muito de um poema chamado “Adormecida”:
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia 

Numa rede encostada molemente... 
Quase aberto o roupão... solto o cabelo 
E o pé descalço do tapete rente.

'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste 

Exalavam as silvas da campina... 
E ao longe, num pedaço do horizonte, 
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados, 

Indiscretos entravam pela sala, 
E de leve oscilando ao tom das auras, 
Iam na face trêmulos — beijá-la.

Era um quadro celeste!... A cada afago 

Mesmo em sonhos a moça estremecia... 
Quando ela serenava... a flor beijava-a... 
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...

Dir-se-ia que naquele doce instante 

Brincavam duas cândidas crianças... 
A brisa, que agitava as folhas verdes, 
Fazia-lhe ondear as negras tranças!

E o ramo ora chegava ora afastava-se... 

Mas quando a via despeitada a meio, 
P'ra não zangá-la... sacudia alegre 
Uma chuva de pétalas no seio...

Eu, fitando esta cena, repetia 

Naquela noite lânguida e sentida: 
"Ó flor! — tu és a virgem das campinas! 
"Virgem! — tu és a flor da minha vida!..."


Linda né? Acho bela, o olhar sobre a mulher dormindo, ele se imaginando entre seus seios, criando imagens sensuais e sedutoras, escreve sensações que aquela mulher provoca nele, tudo apenas por causa de um roupão sutilmente aberto e ele se desmancha em prazer kkk.  O “Livro e a América” também é um poema que me diz muito, para quem milita na educação o poeta fala em levar livro para o povo e fazer o povo pensar:
Oh! Bendito o que semeia 

Livros... livros à mão cheia... 
E manda o povo pensar! 
O livro caindo n'alma 
É germe — que faz a palma, 
É chuva — que faz o mar”.


(Lorena)- Como você analisa a influência da internet na literatura e na vida das pessoas?

(Ediney)- A internet é uma grande biblioteca áudio visual, o que percebo que se tem muita informação, mas sem gerar conhecimento, para a literatura, acho que a internet é responsável pela renovação radical da nossa letras, com os livros digitais e blogs, ficou mais fácil e democrático editar livros e não se tem mais o peso coorporativo das editoras dizendo o que se deve ou não ser editado ou lido . A grande questão é como vamos sair de uma geração de informação para uma geração de conhecimento, somos a geração da ressaca, sem paixões e feliz em nos repetirmos, mesmo com todas as ferramentas que nos possibilitam uma tomada de consciência mais profunda infelizmente apostamos na falsa civilização da ausência de ideais no sentido radical da palavra, esse é o tempo do “tanto faz, sempre foi assim, sou amigo de todos e todos são lindos”, tempo do tomar café enquanto rimos do vizinho que foi decapitado. Tudo isso se reflete nas artes que às vezes é patológica e demente como esse tempo de ressaca idealista.
A internet transformada em ferramenta apenas de pesquisa tem formado batalhões de pessoas emburricadas, treinadas na arte de copiar e arrotar verdades caducas para um mundo que pede posicionamento crítico e objetivo. Mas ao mesmo tempo ela aponta caminhos, a internet enquanto território quase livre tem mais sentido democrático que o Estado brasileiro ainda imerso em parasitaríssimo politico e artificial incompetência admirativa.

(Lorena)- Muitas letras de música tem forte teor poético, como você analisa hoje esse encontro entre música e poética?

(Ediney)- A música se renova com muita rapidez, mas com pouca qualidade. A música é muito banalizada, nestes nossos dias vejo muitas letras de músicas que são apenas Onomatopeias bizarras, desprovidas de sentido e talvez o único sentido seja fazer coro aos corações vazios e suas poucas crenças no lúdico. Se vamos a uma festa e lá está tocando essas bestialidades sonoras não vejo problema, mas quando isso passa a ser uma verdade nas nossas vidas e só se consegue pensar neste pequeno espaço de sub- criatividade, isso nos revela um sintoma pavoroso “cultural” de degeneração intelectual.
O riso e o ócio aqui foram tomados de assalto por uma poderosa máquina política e cultural para alienar e manter na ignorância corações incautos, tudo isso ainda tem uma vigorosa contribuição de um sistema público de educação falido que só não desmorona de vez por causa de alguns poucos e bons professores e professoras que não se intimidam diante esse horror todo. A Bahia é uma grande produtora de porcarias sonoras, o que é uma pena.
Mas se procurarmos com calma sempre há coisas boas, bons artistas. Eu particularmente comecei a gostar poesia primeiro pelas letras de músicas, antes dos livros, chegou até mim os discos.

(Lorena)- Que musicais, que artistas?

(Ediney)- Eu sempre gostei mais de letras de músicas que das músicas. Então, por exemplo, quando era criança gostava muito das músicas do Sérgio Reis, ele cantava letras suáveis, bucólicas que me lembravam o sertão ou sou sertanejo e as canções do Sérgio pareciam amigas, os primeiros discos de Amado Batista e suas canções de amor rasgado, sempre gostei de canções com esse teor saudosista, na adolescência me encantei com Edson Gomes e suas canções com forte teor social e político, antes de Marx quem me disse algo sobre as relações de poder e nós mortais foi Edson Gomes, o primeiro artista brasileiro que me influenciou, na adolescência eu queria ser como ele e dizer aquelas coisas todas, depois veio o Legião Urbana, Renato Russo me deu doses generosas de lirismo, letras bem construídas, muito literárias, são artistas eternos pela qualidade do que fizeram, bons exemplos de que se pode fazer sucesso sem ser medíocre. Belchior, Zé Ramalho, Ângela Rôrô  são pessoas presentes sempre na minha vida e tantos outros.

(Lorena)- O que você acha de Gregório de Mattos?

(Ediney) - Um dos grandes poetas deste país, um cara extremamente talentoso, soube como viver plenamente todos personagens da sua inquieta personalidade, seus conflitos religiosos, sua poesia social – satírica que não poupou ninguém, a acidez poética em tratar os poderosos e os fracos da época, uma alma complexa e um talento incrível.

(Lorena) Como você sente a poesia de Cecilia Meireles?

(Ediney)- Uma poesia intimista, lúdica, delicada, voltada para questões mais introspectiva, a busca pelo entendimento das emoções com o mundo opressor e geralmente excludente. Eu gosto muito de um livro dela chamado “Cânticos”, é um livro muito místico que traz uma poesia suave e quase religiosa, “ Cânticos”  é uma delicada mensagem de esperança, uma alternativa poética ao caos emocional que nos perdemos, caos que  nos fez  pouco a pouco devoramos o amor e o bem maior que temos que é nossa própria condição humana.

(Lorena)- Relembrando a questão da música, ha também o Vinicius de Morais...

(Ediney) - Ele foi um cara diferente, multimídia, foi poeta, letrista, cantor, embaixador, foi demitido do cargo de embaixador acusado de não ter um perfil para o cargo, recentemente soube que foi simbolicamente readmitido pelo Itamaraty, foi um homem aberto e profundamente ligado ao seu tempo, um carioca quase baiano, se encantou e cantou o candomblé, um homem de muitos amores e cantou todos, biriteiro assumido e um coração lírico apaixonado pela palavra, foi uma amente da palavra, homem da noite e das mulheres como da palavra e da poesia.
(Lorena)- Muito obrigado pela entrevista!
(Ediney)- Obrigado você... Amemos e nos embriaguemos como Vinicius de Moraes, sejamos quando necessário, céticos como Augusto dos Anjos, suaves como Cecilia Meireles, corajosos como Gregório de Mattos, irônicos como Manuel Bandeira e sobre tudo esperançosos como Castro Alves.

 http://cartasmentirosas.blogspot.com.br/
 http://edineysantana2.blogspot.com
























sábado, 5 de abril de 2014

O canto que vem do sertão

Morando em Santo Amaro desde os primeiros anos de idade, Ediney Santana não perdeu os vínculos com sua terra de origem, o sertão de Mundo Novo, no semi-árido baiano, com a eterna ameaça do espectro das secas periódicas e seus desdobramentos sociais. Sensibilidade à flor da pele, Ediney apresenta uma poesia visceral, que incomoda e encanta, que assusta e seduz, o canto pungente do sertanejo, que sai das entranhas da terra e sua aridez constante, mesclado com a visão cosmopolita do homem contemporâneo e sua companheira permanente, a solidão.
Os versos têm força e carga dramática, mantendo sempre um teor poético vital, surpreendente. O sertão, que ele guarda na memória, renovada com o reencontro constante com as origens, e o recôncavo com sua proximidade com o mar, que lhe confere vocação universal, estão presentes, como se uma ponte unisse umbilicalmente as duas regiões de realidades tão disparas, indiferente às convenções do tempo e os limites geográficos.
Alheio a fronteiras geofísicas, a solidão ponteia os versos de Ediney Santana. “Minha lira é árida/brota/nos grotões sertanejos/Entre sóis e luas/sou comitiva solitária”, diz o poeta em “Os Sertões”. EM outro poema, “Da terra para o coração”, manifesta o mesmo sentimento de isolamento que acompanha o homem contemporâneo: “Observava as folhas/caírem ao/ chão e a nudez das/árvores,/então pude perceber/o discurso/silencioso da solidão”.
Ao mesmo tempo e com a mesma densidade dramática e poética, ele faz incursões pelos caminhos do lirismo e enfatiza, de forma contundente, a poesia engajada, estandarte em defesa dos oprimidos, dos excluídos. Solta o canto da liberdade, o canto de angústia diante das desigualdades sociais, o canto de esperança nas mudanças e transformações, na construção de um mundo mais justo.
Poeta com trabalhos em jornais e em coletâneas, aparece agora para o leitor de forma mais completa. A Universidade Estadual de Feira de Santana, ao publicar a poesia de Ediney Santana, formado em Licenciatura em Letras Vernáculas, no Campus Avançado de Santo Amaro, cumpre o seu papel de estimular os novos talentos artísticos, com a consciência de sua função enquanto instrumento de produção e divulgação do conhecimento científico e, também, da promoção e socialização cultural.

Professora Anaci Bispo Paim
Reitora da UEFS
Compre o livro aqui: https://www.clubedeautores.com.br/book/162816--Ate_que_a_eternidade_nos_una#.U0AT2PldVqU




quinta-feira, 3 de abril de 2014

Mordaz é isso

Ediney Santana
Pondero quase sempre em minhas resenhas o fato do sujeito ter ou não alguma coragem para escrever. Não que seja isso um pré-requisito. Mas, quando o assunto é opinar sobre livros que gosto, prefiro acreditar que sim. Que boa parte se resume a isso, além de todo o bla bla bla teórico sobre estilos e influências. 
O escritor Ediney Santana veio para confirmar minha louca teoria. De que, sem vontade, sem algum tipo de sentimento genuíno, ou sem coragem para por num papel o que de fato nos comove, publicar um livro se torna arriscado. E se pode pagar um preço muito alto pela propensa ousadia. 
Vejamos: leio, agora com menos frequência, textos em que pessoas defendem o status de maldito de seus objetos de resenha. É tudo muito simples: se o artista optar por fazer prosa, ele deve pegar um ou dois personagens, enfiá-los numa situação sujinha e pronto. Sendo poesia, ele deve escrever textos que ninguém compreenda, recheados de palavrões ou, coisa mais arriscada ainda, tentar fazer poesia com a simplicidade do Bukowski, como se estivesse contando uma breve história de dor e dúvida. 
O problema é que a dor e a dúvida muitas vezes não passam de recalques. Ou daquele fingimento que tanto se conversa por aí. É preciso um pouco de caos, amigos. E de alguma estrada tortuosa. 
Em seu Evangelho do Mal (compre aqui https://www.clubedeautores.com.br ), o rapaz que fez “do mundo um delírio errante”, nos mostra que, se você escolheu essa escrita, ou se ela te escolheu, como acho que foi o caso dele, tenha força o suficiente e se liberte dos grilhões – sei que essa frase é de uma obviedade terrível - e de todo o receio que te cerca. Arrisque, ainda que isso implique no total estranhamento de sua obra. Ou num estranhamento parcial, de uma maioria canhestra que sonha em ser maldita no playground do prédio – isso tudo enquanto o vigia cochila e os cães cercam suas belas varandas. 
Ediney, que é autor de outro belo livro de poemas, Anfetaminas e Arco-Íris (compre aqui:  https://www.clubedeautores.com.br) , não pede licença. E segue com sua dor, seus berros, seus devaneios mortais e mordazes. Tem talento também para criar imagens líricas sem derrapar. Um sujeito que, se não estiver me enganando - no que de melhor a palavra engano abarca -, saca que esperança não é bem aquilo que nos mostra os especiais de fim de ano da televisão. Muito menos a bondade sacal e emplastrada de velhas senhoras em seus jantares beneficentes.   
Claro que em suas 117 páginas ele não se resume somente a isso. Como de hábito, o autor homenageia ídolos sem recorrer a técnicas batidas e cutuca o engessamento pela fé (Imagem e Semelhança, página 33). Aborda temas de cunho social, sem usar da lógica obtusa de quem supõe ser a literatura uma luta de classes com algum estilo (“Na campina branca / o sertanejo / ara a terra como quem / prepara a própria cova... / Na fábrica triste o / operário aperta / botões como quem / reconhece a si mesmo” – Iguais, página 53); fala do amor, numa boa. Além de tirar um grande sarro com o satanismo (Lam od ohlegnave o, página 54), se é que a intenção foi mesmo essa. 
Sua linguagem permanece com o mesmo vigor. Suas experiências com o nosso idioma continuam a não serem meramente repetições de recursos literários: possuem vida própria; suas metáforas se encaixam, abrem possibilidades (...”Poetas existem / para quebrar vidraças e fazer rir os palhaços” – Poetas, poemas e poesia, página 57). Ele tem a manha. Entende do riscado, só precisando mesmo ter bastante cuidado com questões mais práticas, nem por isso desimportantes, tais como revisão dos textos e no uso de termos estrangeiros. 
Mas foi a dor que me pegou de jeito. Foi essa dor, que não tem nada a ver com algo piegas e choroso, que me motivou a escrever isso aqui. Claro, espero não estar limitando a visão de sua obra, já que, como ele mesmo diz, sua intenção foi escrever sobre as “contradições da sua época”. 
Sabemos, eu e você, que poesia para ser boa não precisa ser dolorida. Nem tão somente ser um mero encaixe de palavrinhas que rimem ou que tenham um efeito sonoro qualquer. Ela pode ter leveza e nos erguer do chão. Pode ser hilária e festiva, nem por isso menos genial e marcante, tal e qual uma puta comemoração setentista que continua atravessando décadas, como certamente Waly Salomão queria que fosse. Pode ser até mesmo um poema-piada. 
Mas nunca deve ser tão somente uma piada. 
Ediney pode parecer até exagerado em alguns momentos. Só que, mesmo no seu exagero, nas suas metáforas corrosivas, bem como naquelas em que o mundo do imaginado cabe de sobra, ele sabe o que faz. Ainda que um ou outro texto te incomode, saiba que ali existe uma verdade. Que pode não ser a sua, nem a minha. Mas que é uma verdade bruta, exposta da melhor forma possível, por um sujeito que sentiu o que escreveu. 

 Texto de Autoria de :Gustavo Rios
Fonte:http://www.verbo21.com.br/v1/index.php?option=com_content&view=article&id=290:mordaz-sso-gustavo-rios&catid=126:resenhas-e-ensaios-fevereiro2009&Itemid=129
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quarta-feira, 19 de março de 2014

Mais um Dose: Ediney Santana e Herculano Neto

Ediney Santana
É CLARO QUE EU TÔ A FIM
Tom Correia
Uma mesa de bar, chuva fina que escorre lá fora e acordes de rock brazuca são os componentes do cenário ideal dos microcontos de Ediney Santana e Herculano Neto. Parceiros de antigas datas, sem jamais se renderem diante de contextos literários que engessam a criatividade, a dupla reuniu o que havia de mais contundente para inaugurar a Laetitia Digital.
Assim, através de minúsculas histórias desfiadas ao longo do livro, somos convidados num primeiro instante a expandir nossa imaginação, fruindo a verve autoral que nos expõe suicidas metafóricos, delírios de um homem que odiava gravatas borboletas, homens-toupeiras, figuras que se refugiam em árvores, indivíduos combalidos que se transformam em peixes nadando em rios assassinados por metais pesados. Na verdade trata-se de um convite-ameaça: leiam-nos ou nos odeiem.
Canibais de nós mesmos, como escreveram um dia Cazuza-Frejat-Ezequiel, viramos página após página na ânsia de encontrar outros devaneios. Engano. Nos deparamos com tipos solitários de vidinhas ordinárias, desempregados crônicos e transexuais operadas que perambulam sob matizes urbanos não raro hostis, não raro o que se vê nas ruas todos os dias.
As doses literárias que ganhamos do fertilíssimo dueto são inebriantes na medida exata: ao final do volume, nos levantamos trôpegos mas ainda conseguimos a façanha de chegar em casa sem extraviar a alma no caminho. A chave vira, chegamos ao sofá (talvez velho, muito velho) e com a fala enrolada suplicamos aos garçons-escritores: mais uma dose, antes que a terra nos coma.
Tom Correia
Jornalista

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domingo, 16 de março de 2014

Urbem Ageli

Ediney Santana
Lançado este ano, Urbem Angeli, é o primeiro romance de Ediney Santana, autor de livros de poesias, contos e um sobre política, agora ao publicar Urbem Angeli firma sua presença como um dos mais criativos e inteligentes escritores da sua geração. A novidade de Ediney Santana como escritor é a coragem como aborda alguns temas que parecem distantes da maioria dos escritores em atividade no país, ao lermos livros publicados recentemente podemos ter a impressão que vivemos em um país maravilhoso, grande parte da literatura atual do Brasil narra ou personagens psicologicamente  moribundos que colocam suas vidas como estrelas de um universo egoísta e demente ou é autoajuda, Ediney Santana é sem medo, soco no estômago, talvez por isso a crítica literária ignore politicamente sua existência.
Urbem Angeli narra a vida ao avesso de uma pequena cidade dividida entre o povo, cidadãos e políticos, uma elite política controla tudo que acontece na cidade, uma atmosfera pesada, dolorosa, triste e sem esperança. Urbem Angeli é um livro seco, mas um livro criativo, prazeroso e que desafia a estética canastrona da felicidade ou da literatura fútil feita para ninar gente que insiste em não encarar a realidade ou pior negar o direito do outro em dizer não.
Ediney Santana é um convite para redescobrimos nossa literatura em sua faceta mais aguda, como dito, seu ganho são os temas, suas posições política, de maneira direta cria uma sociedade desastrosa e perversa, Urbem Angeli se passa em uma cidade, mas podemos entender como uma metáfora para esse Brasil de hoje que é a soma de tantas doenças históricas.
Urbem Angeli é isso, um romance que busca sintetizar nossas doenças históricas, nossas verdades indigestas e nossas mentiras cordiais. Ediney Santana é um dos raros  e prazerosos momentos em que a criatividade encontra a liberdade intelectual, Urbem Angeli antes ao negar a sociedade atual é também um convite a reação, criatividade, dizer para si mesmo que nem todos são povo ou cidadãos, há uma terceira categoria sociológica que não faz parte da aristocracia, da elite divindade, essa categoria quer apenas viver plenamente seus momentos de vida e paixão.
Gabriely Del Fabria
Jornalista, Rio de Janeiro, 10 de março de 2014
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Os Deuses não são socialistas 2ª Edição

Ediney Santana
“Os Deuses não são socialistas" é o nome do novo livro do escritor Ediney Santana. Em uma prosa simples e direta, Ediney Santana faz várias leituras sobre diversos temas políticos, com uma escrita apaixonada Ediney nos provoca, nos instiga para reflexão, não é um livro tese, é antes de tudo um manifesto pessoal de um homem demolindo suas utopias que por fim se configuram falsas, mas nem por isso é um livro pessimista, é um convite para reorganizar novas utopias, encontrar novos amores e causas em seja possível o amor pelo povo não ser contaminado pelas facções criminosas que comando quase todos partidos políticos do país.
É um livro de poucas páginas, mas de muito fôlego em pouco mais de 100 páginas Ediney Santana escreve sobre temas como: Família, problemas agrários, cultura, meio ambiente e educação.
Ediney Santana é autor também de outros três livros de Poesias, o último é Anfetaminas e arco-íris. Nascido na cidade de Mundo Novo-Chapada Diamantina-Ba é um sertanejo de versos afiados e olhar largo sobre o mundo. Ediney Santana é paixão e garra, um homem interessante seu charme é seu encanto pelo mundo, nada lhe é tédio, tudo lhe desperta atenção.
Ediney Santana é um brasileiro que tinha tudo para não ser, para ter sua história encerrada em si mesma, mas é e o é com a alegria de não ter medo de dizer o que pensa o que se sente. Foi com alegria que encontrei esse jovem escritor e suas inquietações. Ediney Santana é um raro e belo exemplo de dignidade artística, isso vale muito em país em que a prostituição intelectual é quase regra obrigatória.
De: Fabrícia Hather
Jornaliasta, professora de História  
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sábado, 15 de março de 2014

UM LIVRO DE RANCORES ANCESTRAIS!!

Ediney Santana
Na sinopse de seu livro, o poeta garante que?O Evangelho do mal? é um livro ácido e não menos suave. Concordo. Contraditório e sincero. Os poemas de Ediney são carregados de dramaticidade. O autor vive intensamente seu viver poético. Vive intensamente suas antíteses e por isso mesmo escreve com a secura que somente um nordestino - talvez - possa entender. Ou seja, com realidade extrema e doçura.

?Um livro sem doutrinas, sem deuses, sem verdades ou mentiras.? Diz o autor. ?Um livro fruto disso que chamamos de pós-modernidade. Escrever na pós-modernidade é vomitar excrementos do passado no perfume inodoro do presente, é ser hiato de verbo algum.?
?Sou apenas um plagiador dos risos e das dores de minha gente, que também são meus risos e minhas dores. Sigo a solitária romaria da coerência? Sou coerente com meu solitário e singular tempo. Tenho em mim muitas vozes. A voz de Patativa, do Catulo, de Cazuza, de Renato Russo, a voz jovem de Belchior, os versos sombrios de Zé Ramalho, a leveza de Mário Quintana, a rebeldia de Gregório de Matos, o idealismo de Castro Alves, a agonia poética de Augusto dos Anjos, a tristeza de Álvares de Azevedo, a vontade do riso de Machado de Assis, a voz de Cássia Eller e de Maria Callas? Como posso não ter em mim a poesia musical de Ângela Rorô? Sou fruto de tantas arvores e tantas leituras?.
Ao pesquisar na Internet conferi alguns ataques de cólera contra a obra de Ediney Santana. Uma delas, a de uma habitante do Rio Grande do Sul, morta de ódio pelas poesias. Xinga o poeta de ignorante e usa ?nordestino? como palavrão! Horror! Ainda em 2006 existem ?pessoas? que guardam rancores extremos.
Viva todos os Salmon Rushdies do mundo! Viva à liberdade, à igualdade, à fraternidade!? Três ?petit-fours? que desde 1789 nunca saem da moda.
Por : Café Brasil
Compre aqui: https://clubedeautores.com.br/book/120728--O_Evangelho_do_Mal

Até que a eternidade nos una( 1º livro lançado em 2002)

Ediney Santana

Editada pela Universidade Estadual de Feira de Santana, a publicação reúne poemas, cujos versos têm força e carga dramática, mantendo sempre um teor poético vital, surpreendente. Poeta com trabalhos em jornais e em coletâneas, Edney aparece agora para o leitor de forma mais completa. Na apresentação do livro, a reitora Anaci Paim afirma que " A Universidade Estadual de Feira de Santana, ao publicar a poesia de Edney Santana, formado em Licenciatura em Letras Vernáculas, no Campus Avançado de Santo Amaro, cumpre o seu papel de estimular os novos talentos artísticos, com a consciência de sua função como instrumento de produção e divulgação do conhecimento científico e, também, da promoção e socialização cultural.

Fonte: UEFS
http://noticias.universia.com.br/tempo-livre/noticia/2002/09/26/539494/uefs-reabre-galeria-ctano-veloso-com-mostra-e-lanamento-livro.html

sábado, 8 de março de 2014

Urbem Angeli

Ediney Santana

Urbem Angeli

                                                                       
Muito obrigada pela delicadeza d nos ter presenteado com um livro tão rico em reflexão quanto o seu "Urbem Angeli
Como você Mesmo disse no seu Posfácio, esse é um livro para ser lido (degustado) d um fôlego só e foi o q Eu fiz seguindo seu conselho... Também não poderia deixar d ser diferente...a pessoa fica desesperada para saber o q vai acontecer com as personagens....

Estava/Estou lendo um livro de Roberto Lyra....Parei, li o seu e voltei pra ele....Faço fazendo essa relação porque esse autor, nesse livro em especifico estava falando sobre Jusnaturalismo, onde o Direito é associado a Justiça...por coincidência ele fazia um contraponto com o Positivismo (esse ramo v o Direito tão somente ligado às Leis)....e ele ia discorrendo como uma sociedade pode s tonar cruel e perigosa a partir do ponto de vista Positivista...fiquei maravilhada porque você mostra de forma tão peculiar o q ele estava tentando m mostrar no "seco"...

Seu livro m lembrou muito A Divina Comédia, de Dante Alighieri....O seu "curral-lixão" teria sem dúvidas inspirado o próprio Botticelli na pintura do seu quadro "Mapa do Inferno".....

Mas partindo para vida real também m lembrei muito de um livro q li faz já algum tempo, cujo tema e o título era Holocausto...os horrores reais, vividos por pessoas reais e não personagens...os campos de concentração, onde a "polícia amarela" estava sempre d prontidão.....Não é muito diferente de assistir Tropa de Elite e ler o que você escreveu se desenhando....
São várias as referencias q podemos fazer a sua obra....a mais significativa é o nosso próprio cotidiano....cheio de Prefeitos Ausentes, polícias amarelas para todo lado, eleitores q comercializam seus votos, sanguessugas eternos do governo e por aí vai.....nós com essa vivência d interior e interior do Nordeste....lugar onde por anos o Coronelismo é q era a forma d justiça, balizada até pela própria Justiça, sabemos e sentimos e vemos em várias das nossas cidades o retrato das "Urbem Angeli", em vários aspectos.
Obrigada por escrever sobre situações q nos levem a reflexões mais aprofundadas da nossa existência humana e parabéns por conseguir transportar seus leitores para o lugar do outro....Mesmo q, e principalmente q esse outro não esteja numa situação tão favorável....
Parabénsssssssssssssssssssssss!!!!
P.S.: Gostei muito da contra capa do seu livro....gostei dos créditos da sua foto para Renatinha....achei fofíssimo...
P.S:Já q vai guardar como crítica sobre seu livro preciso que acrescente sobre dois personagens que me cativaram muito...É a Joana e o ST. Dos Santos, q assim como muitos de nós... Permanecem firmes e imunes aos “éteres” desses tantos prefeitos ausentes... Essas pessoas combativas sempre os farão perder sono... Sucesso sempre!!!!
Por: Rosanna Costa 

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O Evangelho do mal

Ediney Santana
 Conheci Ediney Santana num Teodoro Sampaio (colégio de ensino médio) decadente e sem dono, durante os confusos anos da década de 1990 em Santo Amaro-BA. Militante político que, se algum momento esmoreceu, jamais desistiu de sonhar uma nova possibilidade. Caminhávamos, aparentemente, por vias completamente antagônicas, até que o destino (se é que podemos chamar assim) nos brindou com sua carga de ironia ao nos colocar lado a lado numa pista estreita, dividindo o espaço e não lutando por ele, mas ainda distantes da reta de chegada. A lembrança mais vaga que carrego comigo é vê-lo proferir sua verve embriagada de versos catárticos num show (ou melhor, num som) da sua antiga/sempre banda Som Marginal – que depois se tornariaFlor Marginal.
Acredito que, assim como eu, ele vivenciou uma mistura de honra, prazer e acerto de contas com o passado no projeto conjunto SOB PRESCRIÇÃO (2006), com a participação do companheiro Jorge Bóris, um livro onde publicamos nossas crônicas, contos e poesias. Ali criamos nossos alicerces e solidificamos o que temos de melhor: a cumplicidade. A parceria Renata (“ou canções dentro da noite escura”) evidencia essa unidade. Ediney Santana se tornou um amigo, um grande amigo, integrante recente do seletíssimo grupo MEIA DÚZIA DE CINCO, um dos que vejo de quando em vez no Bistrô do Miúdo, nas conversas sem intrigas em mesa de bar; no entanto não posso considerá-lo apenas por esses esporádicos encontros, seria leviano demais, até porque, parodiando Dado Pedreira, como biriteiro eu não sou exemplo pra ninguém - felizmente. Nos aproximamos através de outras afinidades: músico/literal e um desejo de fazer acontecer, de movimentar a engrenagem, de espanar a poeira que adorna os estanques. Colaborador constante do fanzine O Ataque, entre outros sites e jornais, com seus textos provocadores e delicados. Sua eterna inquietação encontra par somente nas descobertas e devaneios da juventude (“Smells Like Teen Spirit”), uma rebeldia sim, mas uma rebeldia consciente, exemplo que deveria ser seguido pelas novas gerações santamarenses, castigadores que, sem querer ser careta, se perdem na intera do fino e na falta de criatividade até para a decadência.
Ediney Santana encarna naturalmente, e melhor do que ninguém, o estilo ame-o ou deixe-o; e as flores, com a sua dualidade de espinho e pétala, a fúria e o doce, permeia intencionalmente sua obra poética; seja em CANTATA (1999):

Fui lançado sem vida
Entre as ervas daninhas
Satanás nasceu entre
As flores negras dessa lenta agonia
Quem sabe das flores
As mais belas traições
Nos títulos de ATÉ QUE A ETERNIDADE NOS UNA (2002):

Os Pardais; Flor de Lótus; Jardim das Saudades; Jasmins; As Flores e o Espelho

Ou nos do inédito ANFETAMINAS E ARCO-IRES (que “acidentalmente” li):

Lírios do Campo; Lírios e Arame Farpado; Luzes e Sonhos no Jardim da Infância

Já em O EVANGELHO DO MAL (2004) são só espinhos:

Uma flor medrosa vai nascer
Sobre sua sepultura fria

De todo lugar brota miserias

Entre nós amor e espinhos,
Espinhos e amor

Meus olhos são orquídeas
Cheios de veneno e saudades

Ah! Teu corpo bailando em minha pica
Como uma flor ao vento...

Flores no velório
Flores na solidão dos dias (...)
Flores, amargas flores

Devorei sementes solitárias de mel e espinhos

Meu mundo bizarro de flores
Eu arame, amores de vidro (...)
Cultivo flores amarelas
Na febre dos meus crimes

Confesso que tenho um carinho especial em sua obra pelo livreto CARTAS MENTIROSAS (2004), não sei se devido ao formato pocket (que me agrada bastante) ou se pela infinidade de referências (Ana C., José Afonso, Maiakovski, Jorge Amado, SDM, U2, Fernando Pessoa...). Talvez porque as cartas não sejam nada mentirosas, e esta, sim, é a grande mentira: tudo é totalmente real e palpável (como o próprio Ediney diria, verdades são mentiras vestidas de azul). São contos/crônicas em que ele avalia o seu tempo, seu passado recente e remoto, do Chafariz da Purificação a Mundo Novo, da cadeira do Vô Leovogildo a Praça da Bandeira (digo, pracinha do fundo da prefeitura). É um trabalho que, agora relendo, muito me emociona.
Camarada Ediney Santana, somos o trapo do pedinte e a roupa nova do rei (o rei é mais bonito nu?), somos senhores e servos dos nossos dias, somos laetitia e melancolia. Somos o que há de melhor e pior. Que o futuro nos conserve assim, e que nos reserve uma garrafa de vinho e uma gargalhada jocosa na cara dos que desdenham. E se Deus realmente não perdoa os inocentes, certamente estamos (estaremos) salvos do seu tridente.
Pra terminar sem clichês ou frases de efeito, um poema escrito no Bistrô do Miúdo:

(Flor Marginal no 02)

Para Ediney Santana


Flores astrais,
Flores marginais,
Nos canteiros,
Nas calçadas,
Nos bares,
Nos jardins.

Flores em mim.

Flores de plástico,
Por todo lado,
Em todo lugar,
Em todo espaço,
Por todo sempre.

Flor que se cheire.


Por : Herculano Neto
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