sábado, 26 de agosto de 2017
terça-feira, 19 de abril de 2016
A Menina e o Poeta
Este
livro foi escrito em homenagem a todas as crianças do povoado da Barra de Mundo
Novo-BA. Que todas as crianças de Mundo Novo, de todos outros povoados e
distritos da cidade sintam-se homenageadas por esta história que se passa na
Barra.
Pelas
ladeiras, ruas e casinhas simples um grupo de crianças incentivadas por uma professora
muito especial resolvem transformar o pequeno povoado no lugar do país em que
mais se ler poesia. Vão viver uma incrível aventura pela literatura e encontrar
um inimigo muito poderoso, mas não vão desistir de fazerem do lugar em que
vivem, um lugar único, um pequeno Mundo Novo.
Nasci
em Mundo Novo, vivi meu primeiro ano de idade na Barra, crescei longe, me
tornei escritor, este livrinho é a maneira encontrada de desejar que todas as
crianças sejam felizes, através da educação possam viver em um mundo possível
de amor, oportunidades e realizações pessoais e coletivas.
Ediney
Santana
Brasília,
04/04/2016
terça-feira, 15 de março de 2016
Entrevista para o Cultura Alternativa
Fale um pouco da
sua vida, onde nasceu, etc. Lembre-se que o leitor na internet gosta de
concisão. Ser conciso é fundamental.
R- Nasci em Mundo Novo, fica na Chapada
Dimantina-BA. Mundo Novo é uma pequena cidade erguida em um vale incrivelmente
verde, falo incrivelmente verde, porque no semiárido nordestino predomina
paisagens secas, caatinga, mas passei a vida toda nas margens da Baía de Todos
os Santos, em Santo Amaro, mítica cidade baiana. Mudei aos 40 anos para
Brasília, nunca tinha ido tão longe de casa, mesmo vivendo perto de Salvador
sou um coração do interior. Brasília é uma cidade que predominantemente
corações se afirmam pelo ter, a vida toda me afirmei pelo ser, mas ter e ser
quando em conflito o ser vai sempre levar a pior. Sou formado em Letras
Vernáculas, especialista em produção textual, no entanto o magistério hoje é
pesar e cansaço.
Agora um breve
currículo literário?
R-Meu primeiro livro
foi publicado em 2002 pela Universidade Estadual de Feira de Santana, desde
então publiquei dez livros , sendo que
um romance , a biografia de minha mãe, um livro sobre política e uma fábula
infantil. Os outros foram de poesias.
Você acha que o
Brasil respeita o escritor?
R- Não sei em outros países, não conheço outros
lugares, só a Bahia e Brasília, mas o que posso dizer é que no Brasil se
reconhece a fama e não necessariamente o que se é. Compra-se produtos
abençoados pelo capitalismo, até mesmo bravos lutadores contra o capitalismo só
valorizam o que tiver gerando lucro, o que for vitrine, sendo assim, não tenho
valor algum para uma sociedade capitalista, não é o conteúdo do que escrevo que
entra na questão, o que importa é se tenho algum sucesso, se as luzes estão
sobre mim, em caso de sucesso vão querer tirar uma foto ao meu lado, vão pedir
autógrafo, mesmo que nem leiam nada, mesmo que publique livros de páginas em
branco. Simples assim...Sucesso independe de talento, por muitos motivos alguém
é escolhido e de repende vira referência de uma geração, claro, os que são apenas fama com o tempo
desaparecem, mas muita gente que tinha algo de relevante também desapareceu por
aí na poeira do tempo.
Dê ideias de como a
sua literatura e a nacional poderiam ser mais valorizadas?
R- O ministério da educação e cultura não precisaria
gastar muito para se realizar uma grande revolução nas letras. Penso que no
ENEM e vestibular, por exemplo, deveria-se usar fartamente textos de escritores
vivos, contemporâneos , autores de todos os estados, de todas vertentes.
Poderia cria-se uma comissão (com pessoas de todos os estados, essas pessoas só
participariam de um processo, a cada novo processo de escolha novas pessoas
participariam da comissão) para selecionar novos autores, muitos em cada edição
dessas provas. Isso também valeria para concursos públicos, todas as provas de
concursos do governo federal deveriam trazer esses autores. Seria tudo em
rodízio para não se criar as infames panelinhas. Nos livros didáticos também a
mesma coisa, ao lado de escritores consagrados novos autores, a cada ano seriam
renovados os nomes e de tempos em tempos se repetiram os nomes que conseguiram
de alguma maneira se firmarem na cena literária, mas não tenho ilusões, ainda
não atingimos um grau de civilidade desejado no qual um autor que , por
exemplo, fosse voz antagonista ao governo tivesse sem problemas sua obra
escolhida em um processo desses...Seria um começo, deve-se começar de alguma
maneira.Professores e professoras também podem começar o processo de divulgação
de novos autores, o governo pode reduzir por uns dez anos os impostos do livro
impresso, cobrar menos impostos de pequenas editoras.
Quais os livros que
já publicou e se existem livros no forno, prontos para sair?
R- Foram os
seguintes: Até que a eternidade nos uma , O evangelho do mal , Os deuses não
são socialista, Uma canção para Renata Maria,
Dias delicados, Rua 5, Anfetaminas e arco-íris, Urbem Angeli, Serenidade
das Orquídeas, Biografia de Zelina Santana e mais duas obras em parceria com
dois escritores da Bahia, Jorge Boris e Herculano Neto, respectivamente , Sob
Prescrição e Mais uma dose. Não sei se vou editar mais livros, aos quase 42
anos de idade meu ânimo já não é o mesmo, o pão precede poesia.
Você na Internet?
Página do Facebook
– https://www.facebook.com/ediney.santana
Instagram – não
tenho
Twitter – não tenho
You Tube – https://www.youtube.com/channel/UCvEe8m2t-bAgOXIcSrFDO2Q
Site – http://poesiaeguerra.blogspot.com.br/
Whats App – não
tenho
Alguma coisa ficou
pendente que gostaria de falar?
R-fico grato pela lembrança, que seja-nos leve o caminhar por este nosso
Brasil...Paz luz e chá de cidreira .
Adquira os Trabalhos
do autor entrando em contato com ele nos endereços da internet.
Anand Rao
Editor do Cultura Alternativa
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Poesia e Punhal
![]() |
| Livros de poemas de Ediney Santana |
Pequenos poemas
para certas angústias cotidianas. A verdade é que não consigo ficar indiferente
a esse lixo político que tomou conta do nosso país, é preciso atacá-lo, mesmo
que seja de uma maneira simples e utópica como através de poemas escritos em
apenas um mês no meu apartamento na Rua 5 em Brasília.
Os organismos
criminosos que sitiaram a política brasileira tem levado a morte milhares de
pessoas, seja pela violência urbana e rural, pelo empobrecimento intelectual
forjado na degradação do sistema público de ensino ou pela destruição do
sistema público de saúde. A morte precoce tem sido o horizonte para milhares de
brasileiros reféns de um Estado predador e assassino.
Não é possível
ser livre e ser filiado a qualquer partido ao mesmo tempo, não se combate estruturas
podres fazendo parte delas. Proliferam no país movimentos sociais e artísticos
chamados “chapa branca”, ou seja, os que são controlados ou emprestam suas
vozes aos sistemas políticos parasitas. Sei que declarar-se publicamente contra
toda essa estrutura é praticamente morrer para qualquer ação ou movimento
cultural, mesmo que seja uma feira literária em uma escola, mas e daí? Nenhum
sistema político é inquestionável ou isento de falhas, nenhuma visão de mundo
seja esquerda ou direita é modelo perfeito de ação política. Democracia é o
direito de duvidar, questionar, apontar contradições e quem nega isso afirma
sua condição déspota e descrença em um mundo no qual mais que direita ou
esquerda tenhamos a liberdade intelectual de escolher nossos caminhos, nossas
crenças ou negação delas, viver em democracia não é servir-se do país, é servir
ao país.
Você tem o
direito de discordar das minhas posições, mas não tem direito de querer calar minha
voz e impor a sua. Não sou de direita ou esquerda, nada disso me comove ou me
toca, mas você tem o direito de empunhar a bandeira que bem desejar, só não
esqueça: sua bandeira não é a única, não universalize seus sonhos fomentando
pesadelos em mim.
Para mim
esquerda ou direita são partes dos mesmos organismos, todos em algum momento
usam da estrutura do Estado para fortificarem suas próprias estruturas de
poder. Política partidária no Brasil é sinônimo de morte e crime. Sei da
importância da política, mas nada que temos no momento se parece com política,
é lamentável que legendas políticas aqui sejam searas de mercadores da
barbaria, do medo e da desolação social.
Rua 5 é o único
livro de poemas meu no qual todas as poesias foram escritas pensando nas
relações do poder político e a sociedade, não é um livro de negação política, é
um livro de negação dessa política déspota e fascista que cotidianamente nos
leva ao inferno de viver em um país que tem tudo para neste exato momento ser
grande e maravilhoso, mas é mantido artificialmente na mesquinharia social.
Rua 5 é um livro
de poemas, não um tratado sociológico ou coisa parecida, como poemas é arte, não
tem resposta alguma para questão alguma. Há provocações, acidez poética e meu
desejo de viver em lugar digno da sua grandeza enquanto terra, mar e céu.
Ediney Santana
Brasília, 28 de
dezembro de 2015
terça-feira, 29 de setembro de 2015
quarta-feira, 15 de julho de 2015
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Invisivelmente produtivo
![]() |
| Ediney Santana |
O ato de escrever?
R-
Tenho longos diálogos comigo mesmo, sempre fui assim. Desde sempre estive
ligado com meus diálogos internos, quando criança escrevia diários e ainda
escrevo, meu ato de escrever é minha carta de intenções dirigida primeiro ao
que sou, me afirmo assim como pessoa, depois penso no leitor, não ofereço ao
leitor um diário de minha vida, mas as leituras que faço da vida, das nossas
relações sociais, meu ato de escrever reflete a leitura possível do mundo,
evidentemente não é a única.
Retorno do que escreve?
Não
tenho leitores, não há neste momento pessoa alguma que pense ou esteja lendo algum poema ou conto escrito por mim, creio
que só quando uma obra é lida seu autor pode-se dizer escritor, pensando assim
não me vejo como escritor. Deixo meus livros em pontos de ônibus, bancos de
praça, enfim em qualquer, mas nunca tiver resposta. Talvez seja um tipo de
escritor diferente, o tipo que não se alimenta de leitores, mas da palavra que
escreve, não tenho problemas com isso, continuo escrevendo, importa deixar aqui
algo que embora invisível seja positivo, a invisibilidade ativa não pode ser
tirada de mim.
Por
outro lado a ideia da celebridade, do rei de Midas ainda não foi vencida,
muitas pessoas só enxergam algo quando esse rei de Midas toca e diz: é ouro,
esperava que neste século, com a internet o poder político e empresarial de
determinar quem tem direito a voz ou não fosse se não vencido ao menos
questionado. Mas isso não me desmotiva,
importante é escrever, se seu invisível sou também produtivo.
Fale mais sobre a invisibilidade?
Há um mito que só talento basta para que
alguém tenha voz, consiga ser ouvido, a ideia tosca da meritocracia. Isso é um
mito, só o talento não basta, muitas pessoas têm suas vozes silenciadas, a
depender o que se pensa não haverá visibilidade para ser ouvido. Cada geração
produz seus invisíveis, o que defendo é que não devemos nos calar diante essa
invisibilidade, não enxergar como recompensa ao que fazemos o aplauso da
platéia, antes de quaisquer coisas deve-se ter prazer com o que produzimos, eu
tenho prazer em escrever livros, claro, se reconhecido deve ser bom, ter seus
livros comentados também, mas antes disso tudo tenho prazer com esse essencial
que sai de mim e se materializa em cada palavra que escrevo.
Sua turma?
Tenho amigos, alguns, bem poucos. Mas
não faço parte de movimento artístico algum. Já cometi o erro de militância
partidária, cometer o mesmo erro na arte seria estupidez ao quadrado. Há uma
ideia ébria no ar, certa civilidade da conveniência, tudo para disfarçar a soberba
e vaidade, não sei se serei lembrado pela minha geração , isso também não me
interessa, compro muitos livros de autores contemporâneos, estou atento as
novas publicações, como leitor não vivo ilhado, como autor e pessoa cada vez
mais estou recluso, gosto desses distanciamento, de olhar tudo como um cartão
postal, desejando felicidades para todos.
Vídeos poemas?
Adoro fazer vídeos poemas, recitar meus
versos e deixar lá no youtube, é um dos meus prazeres, é minha maneira de dizer
para mim mesmo e para o mundo que estou vivo, mesmo que esse meu mundo seja dez
visualizações.
Sou inquieto, às vezes ao andar pelas
ruas falo em voz alta, as inquietações saem livres em diálogos entre esse eu
sereno e o outro eu aflito. Então os
vídeos poemas é tudo isso somado, vários tons de uma mesma canção.
Brasil de hoje?
Sectarista,
esquizofrênico e intolerante. Pode-se dizer que tudo isso é eco do passado, mas
hoje esse eco traz todo um teor de perversidade impensável para mim que fui da
geração ressaca, a que nasceu na possível utopia de um país livre da ditadura
que seria realmente democrático, mas mergulhou na ditadura do mau gosto, das
relações ácidas, da intolerância e xenofobia.
Penso que só
existe um partido no Brasil: intolerante. Grupos religiosos cretinos,
movimentos sociais cretinos, direita e esquerda cretinas. A violência
intelectual no Brasil é tão nociva quanto à física, a violência intelectual é a
estrategista moral e ética da violência que nos apavora pelas ruas, os
responsáveis por isso são todos esses agentes que inundam redes sócias de ódio
e demência política e religiosa, que estão nos partidos, templos e todo dito de
organização que pregam o ódio como argumento intelectual.
Há saída
para isso tudo?
Sempre há,
não só uma saída, mas varias, é necessário múltiplas visões políticas,
culturais e religiosas. Quanto mais o debate ser entre dois grupos esquerda ou
direita mais eles se fortalecem e continuam hegemônicos. Quem determinou que
devemos pensar apenas em duas alternativas? Nada é simplista assim, mas eles
estão corroendo todas nossas alternativas, nas universidades, por exemplo, há
uma paralisia, em especial, nos cursos de humanas ou licenciatura, quase nada
se produz, tudo é requentado, alunos supostamente bem esclarecidos se agarram
em meia dúzia de conceitos e não se permitem mais ao contraditório e isso é
para qualquer posição ideológica que tenham . A ideia de alguém ainda ter
posição ideológica é por si só trágica.
Ainda há pessoas que acreditam que o socialismo é o
caminho, quando já foi rezada a missa de 7º dia do capitalismo.
Niilista, cético?
Não desisto das
utopias positivas, não sou cético, mas não vou fundar as bases das minhas utopias
em visões de mundo que embora se acreditem pós- modernas ou qualquer outro adjetivo
da moda, para mim não diferem das velhas carcaças intelectuais de sempre. O discurso
artístico no Brasil, com alguma exceção se tornou um discurso da mendicância por
verbas pública, movimentos sociais se algemaram a governos, a esquerda não tem capital
ético para apontar minhas contradições e a direita é especializada em sexo oral
no poder, o pensamento de direita no Brasil se resume há algumas moedas jogadas
em suas caras carrancudas e ética cotada na bolsa de valores da intolerância e do
ódio.
Projetos?
Estou
terminando um novo romance, “Não olhe nos olhos”, uma história que se passa em
Brasília. A ideia é uma trilogia de histórias em que cidades sejam
protagonistas.
O primeiro
romance foi Urbem Angeli, toda narrativa se passa nessa cidade Urbem Angeli.
Agora “Não olhe nos olhos”. E continuar com meus vídeo.
Palavras
finais:
Muito
obrigado, fazer da invisibilidade algo produtivo, amor sem servilismo e alegria
sincera para todos corações.
Entrevista
concedida a Grabriely Del Fabry
Brasília, 12
de junho de 2015
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